Impressões sobre O Guia do Mochileiro das Galáxias
Nesse fim/começo de ano, li O Guia do Mochileiro das Galáxias, do britânico Douglas Adams. Minha motivação para ler esse livro, além da recomendação de ser uma ótima leitura, foi a de me integrar melhor ao meu círculo social composto de programadores, designers e outras espécies de nerds que achavam um absurdo eu não conhecer o dito cujo.
O livro conta a história de um terráqueo que escapa da destruição da terra com a ajuda de seu amigo alienígena e juntos se aventuram pelo espaço, [Narrador da Sessão da Tarde mode: ON] aprontando confusões de outro mundo [Narrador da Sessão da Tarde mode: OFF]!

Como disse Bradley Trevor Greive no prefácio do livro, O Guia do Mochileiro se parece com uma montanha-russa, onde a história sobe e desce, muda de assunto, volta e não é difícil de esquecer sobre o que se estava falando. Aliado a essa falta de linearidade, está presente na obra um humor britânico característico, aparentemente sem sentido, mas recheado de críticas sociais e devaneios da cabeça doentia, ou genial, do autor. Falando em humor britânico sem sentido, descobri que Adams foi também responsável por contribuir com sketchs para a série televisiva Monty Python, o que explica muita coisa…
Novo orkut
Nesses últimos dias um dos assuntos mais comentados na internet (e sobre a internet), junto com a chegada do Google Wave, foi o upgrade da rede social mais querida dos brasileiros. Eis que recebi um convite para testar o novo orkut e deixo aqui minhas impressões.
Quando estamos acostumados com uma interface, qualquer mudança drástica causa um estranhamento e uma aversão, imagino que seja por uma preguiça natural que querer apreender de novo o que já estava simples na cabeça das pessoas. Com o orkut não foi diferente, ouvi várias reclamações a respeito, mas imagino que seja temporário.

Algumas funcionalidades principais podem ser notadas de início, que são: ausência do menu lateral, diminuição do menu superior, sugestão de amigos, visualização total dos amigos e comunidades e o grande e customizável espaço contendo a foto e o nome do usuário. Aos poucos nota-se a falta dos depoimentos, aplicativos, fãs e percebe-se que eles estão um pouco mais escondidos, no link “Mais”.
Dizem que a melhor função desse novo orkut é a opção “versão antiga” no topo. Na minha opinião não há tanta diferença entre as duas, mas sou a favor da mudança, pelo menos ela serve pra gerar um movimento na rede. Novas piadas, novos spams, novos e-mails com vírus, etc.
Impressões sobre UP – Altas Aventuras
No dia 12/09 fui ao recém inaugurado cinema do Shopping Paulista para assistir ao mais novo lançamento da Disney/Pixar, a animação UP, Altas Aventuras. Após enfrentar um problema com o estacionamento do shopping (dica: não vão de carro até lá), cheguei à sala onde seria exibida a sessão.
Como de costume da Pixar, antes do filme começar foi exibida uma animação que já havia circulado pela internet há um tempo chamada Partly Cloud, bem feita, divertida e de muito bom gosto.
Sobre o UP né? Ok, vamos lá. O filme retrata a vida do Sr. Carl Fredricksen, um velhinho que, após perder sua esposa e ser obrigado a deixar sua casa, decide realizar o sonho de sua mulher e partir para uma viagem até a América do Sul, junto com sua casa presa a inúmeros balões. Inesperadamente Russell, um garoto que se denomina “explorador da natureza”, embarca com Carl nessa aventura.
A estrutura narrativa não se diferencia muito dos outros filmes populares, é composta por uma introdução, um desenvolvimento, um climáx, uma transformação de pensamento dos personagens e, por fim, a solução dos problemas trazendo uma nova vida melhor que a anterior.
A parte gráfica da animação é excelente (e desde Toy Story está sempre evoluindo) e apesar da qualidade de luzes, textura e movimentos, não tenta se parecer com a realidade, o que confere um tom mais caricato e divertido ao filme.

O filme não subestima a inteligência do espectador, que foi um ponto que me chamou a atenção. Na introdução, ele mostra a vida inteira do personagem principal em poucas cenas muito bem criadas, o que considerei bastante sutil e apropriado. As cenas obviamente impossíveis, como a de Carl carregando sua casa, deixam claro que se trata de uma ficção e que o filme deve ser visto como tal. Pelo que me parece UP, assim como Wall-E, busca atingir não só as crianças, mas também os adultos que se interessam por animações.
Com a minha recomendação, deixo vocês com o trailler do filme:
Mídia Social
Interessante video que sintetiza o significado de midias sociais:
Notaram a quantidade desses videos com cara de “feitos a mão” que existem agora? O que eu geralmente mais gosto neles é a narração.
Dica de Rafael Soares
O Twitter e o comportamento
O Twitter é uma ferramenta que está ganhando espaço entre os internautas do Brasil e, com o grande número de acessos, podemos observar padrões de comportamento oriundos da interação dos usuários com o sistema. Esse post procura pontuar alguns desses comportamentos, sem o interesse de criticar, vejo isso como um interessante processo de interação que a ferramenta permite.
1. Protestos de sofá
Dois exemplos que eu recordo bem são as campanhas de apoio a democracia no Irã e a do afastamento do presidente do senado José Sarney de seu cargo. Minha opinião é de que isso acontece muito mais por moda do que por real interesse em mudar a situação, até porque nenhuma das duas ações muda nada.
2. Invasão de celebridades
Não sem quem disse a frase “O orkut foi destruído pelos anônimos e o Twitter está sendo destruído pelas celebridades” mas ela resume o que acontece no twitter hoje. Famosos e sub-famosos expõe suas vidas pela ferramenta e emitem opiniões mais abertamente. Por terem fama, acabam conseguindo mais seguidores, influenciando um maior número de pessoas com assuntos de gosto duvidoso e tornando algo feito para ser aberto, em restrito e chato. Um exemplo disso são os piratas do Twitter, um conjunto de “famosos” que se uniram com a intenção de revolucionar a comunicação, a campanha #forasarney teve o apoio do grupo que, muito mais do que tirar o político do cargo, buscava ter a tag incuída nos TrendTopics do Twitter.

3. Rapidez de propagação
Quando o Michael Jackson morreu, o Twitter foi bombardeado de informações sobre o ocorrido, o sistema chegou até a cair por alguns instantes. Em pouco tempo, os usuários já estavam twitando tudo o que havia relacionado ao assunto, como videos, tributos, eventos, curiosidades etc. Isso me levou a concluir que o Twitter é uma ferramenta muito voltada ao presente, aos momentos, e pouco à individualidade de cada um. Como se fosse um grande jornal onde o mesmo assunto é escrito por pessoas diferentes e de formas diferentes.
4. Propaganda
Algumas empresas fazem propaganda direta para os seguidores, postando promoções e produtos, como o Extra, outras procuram fortalecer a marca atualizando com assuntos de interesse do usuário e não ligados diretamente aos produtos, como a NetMovies. De uma forma ou de outra, o Twitter também está sendo visto como mídia de propaganda e todas as empresas e agências estão querendo se aproveitar disso.

5. Moralismo
Uma coisa que eu percebi que sempre segue o mesmo comportamento é quando acontece alguma tragédia. Primeiro se noticia o fato, depois fazem piadas, criticam quem faz as piadas e criticam quem critica as piadas. Foi assim no sumiço do padre, no acidente da AirFrance, na morte do Michael Jackson e acredito que continuará sendo para as próximas eventualidades.
6. Fakes
Assim como no orkut, no Twitter também há aquelas pessoas que se fazem passar por famosos, objetos e entidades. Alguns são muito criativos e engraçados, como é o caso do Vitor Fasano e O Criador.

Esses são os pontos mais importantes que eu observei, fique a vontade para colocar suas opiniões nos comentários. Não deixe de me seguir. Se achar interessante, siga também o Diz Estudo, um perfil que eu criei para mostrar para onde vai o dinheiro das pesquisas.
Instantes de Amor e Ódio
Há pouco tempo a agência DM9DDB lançou uma campanha com QR Code que achei desagradável e desnecessária, apesar de ser uma idéia inovadora. Para a minha surpresa, esses dias foi lançada uma outra, pela mesma agência e com o mesmo fundamento tecnológico, porém de muito bom gosto e criatividade.
Trata-se do livro “Instantes de Amor e Ódio, produzido em conjunto com o C.A.O.S. (Coletivo do Amor e Ódio em Segundos) para promover a Editora Online. A proposta é de que seja um livro atualizavel e colaborativo. Como assim? Suas 200 páginas são compostas apenas de QR Codes que direcionam para mensagens de amor e ódio. Essas mensagens são atualizadas a cada 7 dias, portanto o portador “ganha” um livro por semana. Além disso, essas mensagens são criadas por pessoas que seguem o coletivo pelo twitter e “tagueiam” os posts com as palavras “amor” ou “ódio”.

Para essa campanha foi criado um site e um vídeo explicando o funcionamento do livro. O que eu achei legal é que essa campanha integrou a mobilidade, a pervasividade tecnológica e a colaboratividade. Posso estar errado, mas creio que esse seja um bom exemplo da criação de uma inteligência coletiva adaptada a um método estático de informação.
Por outro lado, o processo é trabalhoso e a idéia poderia ser resolvida apenas pelas interfaces digitais, como o celular. Alémdisso questiono a efemeridade desse livro. Até quando as pessoas vão produzir as informações necessárias para a constante atualização das páginas? Até quando o twitter vai “reinar” no ciberespaço? Até que ponto as tecnologias de comunicação e mobilidade vão evoluir a ponto de tornar os QR Codes obsoletos?
Dica de Altair Pereira
10 motivos para não trocar a internet pela televisão
A declaração do ministro Hélio Costa me deixou realmente inconformado com a visão retrógrada desse político, me fez pensar e bolar uma lista com 10 razões para não substituir a internet pela TV, espero que gostem:
1 - Propagandas sem direcionamento
Na televisão vemos propagandas interrompendo os programas, filmes, partidas esportivas e qualquer tipo de programação. Nesse aspecto a internet não muda muito, com os banners e spams que recebemos. No entanto, a internet possibilita que as progandas sejam baseadas no seu perfil e navegação, as tornando muito mais interessantes do que as feitas para a TV, lá as propagandas são feitas por um número muito grande de espectadores e acabam sendo dispensáveis e incômodas para a maioria deles.
2 - Notícias irrelevantes
Assim como as propagandas, as notícias na TV são criadas pensando no Brasil inteiro ou, no máximo, para um estado específico, o que vemos nos grandes jornais são um aglomerado de notícias de diversas categorias que muitas vezes não interessam às pessoas. Além disso, na TV há uma banalização de assuntos, atualmente no Brasil só se fala do acidente com o avião da Air France, quando enjoar, arrumarão outra coisa para falar. Na internet o usuário pode assinar feeds dos assuntos que realmente importam para ele e ser atualizado de forma mais direcionada de acordo com seus interesses.
3 - Comunicação unilateral
Uma das grandes vantagens da internet sobre os outros veículos de mídia é a comunicação descentralizada. Na TV as pessoas falam e os espectadores assistem calados às opiniões do emissor, que são tidas, na maioria das vezes, como verdades incontestáveis, enquanto na internet os indivíduos podem comentar, compartilhar e avaliar as informações que recebem. Infelizmente a maioria dos portais de informação não sabem usar isso da melhor forma possível e o que vemos são jornais de papel na tela, de qualquer forma, há bastantes possibilidades a explorar.
4 - Programação medíocre
Desde que me entendo por gente, a programação da TV (aberta, principalmente) é composta por um número muito grande de bobagens que em nada acrescentam ao espectador, como é o caso dos programas de auditório, novelas e BBBs da vida. Como já disse, a programação é pensada em todos os tipos de pessoas e feita para que todos entendam, o que gera uma nivelação por baixo do conteúdo apresentado.
5 – Manipulação de informações
Como na TV há uma comunicação unilateral, existe uma grande falicidade para as emissoras controlarem o conteúdo exibido e apresentar as informações da maneira como bem entendem, privelegiando suas ideologias e interesses. Um bom exemplo disso é o caso da eleição do presidente Collor, onde a Rede Globo editou o debate com o Lula para parecer que o Collor tinha vencido, houve a manipulação da opinião pública e o resultado já conhecemos.
6 – Dependência de horários
Na internet os usuários podem acessar qualquer conteúdo a qualquer horário, inclusive informações de anos atrás, pode planejar o seu tempo para assistir os vídeos mais interessantes nas horas que estiver livre, ou ouvir os podcasts no momento mais apropriado. Na TV e no rádio as pessoas são dependentes dos horários estabelecidos pelos emissores, então alguém que acompanha a novela das 8, por exemplo, precisa estar ligado à TV nesse horário para não perder os capítulos.
7 – O baixo repertório artístico
As atrações artísticas apresentadas na televisão são limitadas aos interesses das emissoras ou à audiência gerada, não possibilitando ao receptor explorar novos músicos e demais artistas. Ao assistir TV, o espectador é obrigado a assistir a Ivete Sangalo no Faustão, ou o clip da Beyoncé na MTV, mas dificilmente ele terá a oportunidade de saber mais a respeito de uma banda de punk celta de Massachusetts, ou sobre um gaitista brasileiro.
8 – Os horários políticos
Imagine se a sua navegação na web fosse interrompida e todos os sites bloqueados porque segundo o artigo X da lei de número X teria que ser exibida a programação política e você tivesse que ficar 1 hora vendo políticos usarem seu dinheiro para fazer promessas mentirosas em vídeos muito dramáticos e bem editados. Por mais absurdo que pareça, é isso que acontece na TV aberta no horário nobre quando está chegando a época de eleições.
9 – A alienação do mundo exterior
Hoje em dia, na internet o que as pessoas mais fazem é se comunicar umas com as outras através de redes sociais, programas de mensagens instantâneas, e-mails, blogs e outras infinidades de recursos, além de compartilhar informações e ter acasso a opiniões de pessoas de todos os lugares do mundo. Assistindo TV em uma sala, as pessoas mal se comunicam com a família ao seu redor, é a famosa política do pão e circo.
10 – O excesso de gordura
Falando em pão e circo, comer em frente a TV é um péssimo hábito das pessoas, inclusive meu. É claro que esse item é uma brincadeira, afinal isso é mais culpa das pessoas do que do veículo em si, mesmo porque nunca se sabe até quando precisaremos usar as mãos para acessar a internet.
Revendo meus conceitos
Ontem estive no HSBC Brasil para assistir ao show do músico e compositor brasileiro Flávio Venturini. Fui porque ganhei o ingresso, ficaria numa boa posição e a companhia era a melhor possível, não conhecia muito sobre o artista, aliás, achava que não conhecia.
Quando fui convidado para a apresentação e ouvi que seria do Flávio Venturini tive um preconceito, associei seu nome às cansativas e enjoadas músicas de novela e quando eu entrei no site então… Subestimei sua qualidade de cantor ao ouvir uma voz devagar e com a língua presa. Mesmo assim, pelos motivos comentados no primeiro parágrafo, eu fui. Ainda bem.

A começar pela produção do palco, achei o cenário muito belo e agradável, luzes coloridas dançando, um fundo bem desenhado e os músicos posicionados com um mini-palco para cada um. Falando neles, os 4 músicos (guitarrista, tecladista, baterista e baixista) que o acompanhavam, mais os convidados, apresentavam uma excelente qualidade técnica e tornavam as músicas praticamente impecáveis. Se os músicos contratados eram assim, nem preciso dizer o que achei do Flavio Venturini, além de tocar teclado muito bem, o cantor tem uma voz sensacional (acreditem, eu sei como é difícil cantar) e me deixou atento no show durante as 2 horas de apresentação. O repertório estava repleto de músicas que eu conhecia, mas não sabia que eram dele, além de outras novas para mim e que também me agradaram.
Nunca duvidei do potencial da música brasileira e da qualidade existente em estilos criados aqui como a MPB, Bossa Nova e o Samba. Mas, por estar acostumado com shows de rock, acabo não me abrindo para essas experiências e ontem eu percebi o quanto estou perdendo com isso.
Project Natal para o XBOX 360
A Microsoft divulgou recentemente o “Project Natal”, um sistema de sensores para o XBOX 360 que faz com que a interatividade do Wii pareça uma coisa do passado. Esse upgrade para o console permite que o usuário jogue sem a necessidade do controle, a interação é feita somente com movimentos do corpo e a voz. Creio que o vídeo explique melhor:
Essa proposta é um grande passo para o avanço tecnológico na área de games, mas também de outras, como a comunicação, comércio (atacado) e educação, por exemplo, pois a interface com o sistema é o próprio corpo, não há limites para a interação e as possibilidades de aplicação só dependem da criatividade dos produtores.
A princípio, o produto parece incrível, não duvido que seja, mas como lembraram os amigos da lista de discussões que participo, isso é um comercial sendo interpretado por atores. Só aguardando para saber.
How far does your creativity go?
Interessante vídeo feito pela agência AlmapBBDO para a Escola Panamericana de Artes e Design:
Vi no Espaço com Design.
